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Médicos aplicam injeção da alegria

Por Caroline Kodama

Doutores palhaços mostram que visitas recheadas de alegria podem ajudar no tratamento de crianças vítimas do câncer

Não só de circo vive o palhaço. Prova disso é o trabalho dos doutores palhaços que visitam diariamente hospitais e entidades usando nariz vermelho, jaleco e adereços engraçados, para levar alegria e despertar emoções positivas aos pacientes mirins, vítimas do câncer.

Em todo o mundo, existem diversos grupos formados por clowns, personagem cômico familiar da mímica e do circo conhecido por suas roupas e maquiagens características com o propósito de induzir a gargalhada -, as atividades são voluntárias e não têm custo para os pacientes nem para os hospitais. Para que as visitas sejam semanais e contínuas, são firmadas parcerias das equipes com as entidades de saúde.

Palhaços do Riso Curativo em ação nos hospitais

Na maioria dos casos, criam-se duplas fixas, constituídas por artistas profissionais formados na linguagem clownesca, de modo que se estabeleça um vínculo com o paciente e os acompanhantes. Normalmente, eles não sabem de que mal a criança sofre, são especialistas em “besteirologia” e tratam desde chulé encravado até parafuso solto.

Aliás, as brincadeiras, a música e o sorriso são os remédios utilizados para os tratamentos. Na maleta, os doutores carregam aparelhos de brinquedo, como o “martelinho”, medidor de pressão e de batimentos cardíacos e até mesmo um “ferrinho” para verificar se o paciente está passando bem.

O principal objetivo destes grupos é amenizar o impacto da internação na vida dos pequeninos e os pais que, muitas vezes, permanecem por um longo período dentro de hospitais.

Para Estefânia Zonaro, coordenadora do grupo Doutores do Riso Curativo – Palhaçospital, o resultado deste trabalho é gratificante. “A sensação é maravilhosa, é poder usar o teatro que é uma paixão particular e o amparo a dor das outras pessoas, aliar os dois, e transformar em uma sensação de prazer e satisfação. Vibramos com cada criança que está hospitalizada, a nossa intenção nunca é mascarar a realidade, mas sim amenizá-la.”

A nossa intenção nunca é mascarar
a realidade, mas sim amenizá-la

Entretanto, de nada adiantam os ensaios e a preparação de shows, tudo é na base da improvisação, pois as respostas são únicas e variam de acordo com cada paciente.

Estefânia Zonaro durante visita

Vale lembrar que o trabalho dos doutores palhaços representa principalmente um crescimento na vida pessoal dos integrantes dos grupos, visto que as histórias e experiências são sempre enriquecedoras. De acordo com Estefânia, as duplas vibram com cada alta recebida. “E choramos com as famílias, mesmo que silenciosamente, com uma possível perda de um dos nossos palhacinhos, também atores de suas próprias histórias”, relata.

A história desses profissionais iniciou-se na década de 70, quando o médico americano Hunter Patch Adams revolucionou a tradicional forma de atendimento realizada por outros doutores, defendendo a ideia de que os princípios básicos como alegria, humor, amor, cooperatividade e criatividade devem fazer parte da boa medicina.

Patch Adams é hoje o principal nome relacionado à luta pela humanização da saúde, seu projeto resultou na fundação do Instituto Gesundheit! (do alemão “saúde”), em 1971 e que já atendeu milhares de pessoas de forma gratuita. Atualmente, o instituto realiza cursos voltados para o atendimento à saúde cujos profissionais de diversas partes do mundo aprendem as técnicas utilizadas por Patch e assim tornam-se multiplicadores de suas idéias dentro das unidades de saúde em que cada um trabalha.

A vida deste homem de coração gigantesco foi imortalizada especialmente após o lançamento do filme que conta sua trajetória intitulado “Patch Adams – O amor é contagioso”, estrelado por Robin Williams.

 

Integrantes do Riso Curativo e a recepcionista Karina no Internacional Shopping

 

Efeitos da visita

Que a visita dos doutores palhaços faz bem é fato que não precisa ser discutido, entretanto, poucos sabem que estudos comprovam que a alegria transmitida pelo trabalho dos clowns auxilia no tratamento das crianças com câncer.

A recreação ajuda a amenizar o sofrimento dos pequenos que passam por tratamentos desagradáveis e internações que, em alguns casos, são muito longas. Especialistas afirmam que a alegria auxilia na cura e colabora para que o paciente não se entregue à doença.

Esse tipo de terapia traz sensíveis melhoras no estado de saúde da criança, contribuindo para:

  • Mudança do comportamento passivo para o ativo;
  • Melhoria na aceitação dos procedimentos e exames a serem realizados;
  • Diminuição no stress para equipe e pais;
  • Melhor relacionamento entre profissionais, pais e crianças;
  • Diminuição acentuada no tempo de internação;
  • Desenvolvimento da humanização, alegria e humor no ambiente hospitalar.
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